terça-feira, 17 de setembro de 2013

Português / Informações implícitas

Vamos falar sobre a importância das informações implícitas para a interpretação de texto. Inicialmente, precisamos entender que, na elaboração de uma mensagem, nem sempre aquilo que procuramos dizer está explícito, ou seja, nem sempre é dito de forma direta ou objetiva.
Muitas vezes, para percebermos o que está implícito em um enunciado, precisamos lidar comconhecimento de mundo (cultura geral), com deslocamento contextual ou, até mesmo, com alguns indicadores linguísticos.
Observem a piada a seguir:
“Um louco pergunta para um outro:
- Você tem horas?
- Tenho.
O outro:
- Obrigado”.
Reparem que o enunciado “Você tem horas?” parte do princípio de que quem faz o questionamento deseja saber que horas são efetivamente, apesar de essa afirmação não estar explícita na pergunta. Como já estudamos, há uma quebra de expectativa do leitor (humor) entre as perguntas e suas respectivas respostas.
Vejam esse outro exemplo:
Na charge acima, há uma crítica em relação à falta de memória e de compromisso do cidadão em relação ao voto. Além disso, no segundo quadrinho, fica subentendido, ou seja, implícito que o político fez algo de errado em seu governo, porém não sofre retalhações por isso. Percebam que oconhecimento de mundo ajuda bastante na interpretação, além, claro, de uma observação doselementos linguísticos envolvidos (jogo de palavras e desenho).
 Conceitos importantes:
  • POSTO E PRESSUPOSTO
Vejam a frase a seguir:
 O tempo continua nublado.
Podemos dizer que o posto é exatamente a informação explícita, que afirma que o tempo está, no momento da fala, nublado. O verbo “continuar”, entretanto, passa uma informação implícita de antes o tempo já estava nublado. A essa informação que passa a ser percebida pelo leitor, a partir do posto, damos o nome de pressuposto.

  • IMPLÍCITO OU SUBENTENDIDO
Vejam a charge a seguir:
subentendido do texto acima está no fato de o referido prefeito ter sido tão ausente em seu governo anterior que parecia ser sua primeira candidatura. A crítica está na sua péssima atuação como prefeito; é como se ele não tivesse feito nada representativo e importante para a cidade.
SE LIGA!
Muitas vezes, para que o subentendido seja compreendido pelo ouvinte ou pelo leitor, é preciso saber analisar as palavras fora de seu significado literal. O contexto é fundamental para isso. Perceba a situação descrita abaixo:
Um jovem com um cigarro na mão dirige-se a outro e pergunta:
- Você tem fogo?
Notem que a pergunta feita subentende que o jovem está pedindo ao outro um isqueiro ou coisa parecida para acender o cigarro. Na realidade, está implícito o pedido: “Por favor, você poderia acender o meu cigarro?”
  • INFERÊNCIA
Inferir é o mesmo que se chegar a conclusões a partir de fatos conhecidos posteriormente. Veja a imagem a seguir, divulgada no site http://kibeloco.com.br/ num período em que a proliferação do mosquito causador da dengue (o Aedes aegypti) assustava os cidadãos cariocas:
Reparem que, para demonstrar o pavor das pessoas diante da dengue (representada na imagem pelo mosquito), criou-se um diálogo com o famoso quadro expressionista “O Grito” de Edvard Munch. Parainferir isso, é preciso um conhecimento prévio da obra.

CAIU NO ENEM
(ENEM 2009)
Nestes últimos anos, a situação mudou bastante e o Brasil, normalizado, já não nos parece tão mítico, no bem e no mal. Houve um mútuo reconhecimento entre os dois países de expressão portuguesa de um lado e do outro do Atlântico: o Brasil descobriu Portugal e Portugal, em um retorno das caravelas, voltou a descobrir o Brasil e a ser, por seu lado, colonizado por expressões linguísticas, as telenovelas, os romances, a poesia, a comida e as formas de tratamento brasileiros. O mesmo, embora em nível superficial, dele excluído o plano da língua, aconteceu com a Europa, que, depois da diáspora dos anos 70, depois da inserção na cultura da bossa-nova e da música popular brasileira, da problemática ecológica centrada na Amazônia, ou da problemática social emergente do fenômeno dos meninos de rua, e até do álibi ocultista dos romances de Paulo Coelho, continua todos os dias a descobrir, no bem e no mal, o novo Brasil. Se, no fim do século XIX, Sílvio Romero definia a literatura brasileira como manifestação de um país mestiço, será fácil para nós defini-la como expressão de um país polifônico: em que já não é determinante o eixo Rio-São Paulo, mas que, em cada região, desenvolve originalmente a sua unitária e particular tradição cultural. É esse, para nós, no início do século XXI, o novo estilo brasileiro.
 STEGAGNO-PICCHIO, L. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004 (adaptado).

No texto, a autora mostra como o Brasil, ao longo de sua história, foi, aos poucos, construindo uma identidade cultural e literária relativamente autônoma frente à identidade europeia, em geral, e à portuguesa em particular. Sua análise pressupõe, de modo especial, o papel do patrimônio literário e linguístico, que favoreceu o surgimento daquilo que ela chama de “estilo brasileiro”. Diante desse pressuposto, e levando em consideração o texto e as diferentes etapas de consolidação da cultura brasileira, constata-se que:

a) o Brasil redescobriu a cultura portuguesa no século XIX, o que o fez assimilar novos gêneros artísticos e culturais, assim como usos originais do idioma, conforme ilustra o caso do escritor Machado de Assis.
b) a Europa reconheceu a importância da língua portuguesa no mundo, a partir da projeção que poetas brasileiros ganharam naqueles países, a partir do século XX.
c) ocorre, no início do século XXI, promovido pela solidificação da cultura nacional, maior reconhecimento do Brasil por ele mesmo, tanto nos aspectos positivos quanto nos negativos.
d) o Brasil continua sendo, como no século XIX, uma nação culturalmente mestiça, embora a expressão dominante seja aquela produzida no eixo Rio - São Paulo, em especial aquela ligada às telenovelas.
e) o novo estilo cultural brasileiro se caracteriza por uma união bastante significativa entre as diversas matrizes culturais advindas das várias regiões do país, como se pode comprovar na obra de Paulo Coelho.
 Comentário: A diversidade cultural brasileira ratifica-se através do vocábulo “polifônico”. Além disso, a identidade brasileira confirmou-se ao longo do tempo, de acordo com o texto, tornando o Brasil um país sólido culturalmente, mesmo diante das diferenças. Dessa forma, a alternativa “C” é aquela que melhor se adequa como padrão de resposta.
Exercícios


Intertextualidade

O diálogo, que por vezes se mantém entre um texto e outro, materializa-se por intermédio de uma ocorrência a qual denominamos de intertextualidade.


Intertextualidade...  Nas conversas cotidianas, em circunstâncias relacionadas à linguagem escrita, nas inferências que devemos dispor ao analisarmos uma charge, um cartum, uma história em quadrinhos, na pintura, na escultura, nas obras literárias, enfim, muitas são as circunstâncias em que podemos perfeitamente identificar esse tecer de ideias entre um texto e outro, seja ele verbal ou não verbal.

Assim, frente a essa realidade, constatamos que você merece estabelecer um pouco mais de familiaridade acerca dos pontos que norteiam tal ocorrência, haja vista que, assim como todas as outras relacionadas aos pressupostos que norteiam a língua como um todo, a intertextualidade também se reveste de particularidades, de características próprias. 

Dessa forma, pode ser que você ainda não tenha atentado para algumas “afinidades” que existem entre uma pintura e um anúncio publicitário, entre um poema e outro, entre uma realidade cotidiana e uma charge, enfim, o fato é que por meio desta seção você poderá desfrutar com muito esmero acerca de tudo que aqui se encontra preparado para você, o que lhe permitirá entender que essas “afinidades” materializam-se tanto pela imitação, mantendo a ideia-base do objeto tomado por referência, quanto primando-se por um outro aspecto: o que trabalha o lado subversivo, o lado crítico.

Nesse sentido, estimado(a) usuário(a), seja por meio da paráfrase (imitação), seja por intermédio da paródia (a qual se volta para a crítica, como antes dito), não deixe, sob hipótese alguma, de conferir os pressupostos que aqui se encontram elencados.

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras





Exercícios sobre Interxtualidade

Bateria1

Bateria2

Pontuação / Emprego das Aspas

Material1 (Brasil Escola):

Usam-se aspas: 

a) Quando há palavras ou expressões populares, gírias, neologismos, estrangeirismos ou arcaísmos.

Exemplos: Há “trombadinhas” nas cidades grandes “batendo carteira” o tempo todo, mas não há providências.
Por favor, antes de sair, faça um “backup”!
Ele mora lá nos “cafundó do Judas”!

b) Antes ou depois de citações. (*) 
Exemplos: Neste sábado, 31/01/09, o ministro do Trabalho disse o seguinte a respeito do aumento no salário mínimo para R$ 460,00: "Esse aumento representa beneficiar mais de 45 milhões de pessoas, entre aposentados e pensionistas".

"É importante que os países ricos não esqueçam nunca que foram eles que inventaram essa história de que o comércio poderia fluir livremente pelo mundo. Não é justo que agora, que eles entraram em crise, esqueçam o discurso do livre comércio e passem a ser os protecionistas que nos acusavam de ser", disse Lula no Fórum Social Mundial, em Belém.

textos retirados ou baseadas em reportagens da Folha Online.

c) Para assinalar palavras ou expressões irônicas.

Exemplos: Eles se comportaram “super” bem.
Sim, porque são uns “anjinhos”.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

Material Complementar - Sinais de Pontuação

Muitas pessoas não dão o devido valor à acentuação, acham que não há problemas em se esquecer uma vírgula, um ponto final ou um parênteses ou simplesmente ignoram os sinais.

No entanto, uma vírgula ou um ponto pode mudar todo o sentido de uma única oração. Observe: Eu ir lá claro que não.
Agora veja: Eu, ir lá? Claro que não!

Como se pode observar na última oração acima, a acentuação acompanha nossa fala, nossa entonação. Dessa forma, fica possível perceber as pausas feitas pelo falante, a fim de demonstrar com clareza o que e como quer dizer algo. Por exemplo: você dá parabéns a uma pessoa dessa forma: Parabéns. Desejo felicidades. , com o uso de ponto final na entonação, igual um robô?

Creio que não, pois queremos transmitir alegria nas felicitações, e o mais certo nessa ocasião é abusar do sinal gráfico que representa esse sentimento de euforia: o ponto de exclamação (!). Assim: Parabéns! Muitas felicidades! Fica bem melhor, não é?

Logo, a acentuação faz parte da nossa linguagem falada e escrita, e é imprescindível saber como usá-la corretamente!

Nesta seção você vai ficar sabendo como e quando usar cada um dos sinais de pontuação: vírgula, ponto-final, ponto de interrogação, ponto de exclamação, ponto e vírgula, dois-pontos, aspas, reticências, parênteses e travessão. É só clicar!

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras

Clique sobre o tema para saber mais sobre os diferentes tipos de pontuação:


Mapa Mental Pontuação

Exercícios:

Bateria1

Bateria2

Bateria3



Como obter êxito nos estudos

Ver o estudo como uma atividade importante é algo que tem que partir do próprio aluno, pois esta é a melhor forma de adquirir permanente interesse e determinação para se atingir o sucesso: a automotivação.

O primeiro segredo está em descobrir qual é a maneira mais eficiente de estudar. Planejar ajuda a usar o tempo eficientemente.

Criar o hábito de estudar, estabelecer uma rotina, reduz o tempo  a ser dispensado para o estudo.

Toda aprendizagem é uma “estrutura” que deve ser assimilada globalmente. A aprendizagem é uma corrente. O que se aprende deve estar conectado ao que já foi aprendido.

Existem várias maneiras de estudar. Apresentaremos neste post as mais eficazes. É necessário que você compreenda as diferentes etapas da atividade ESTUDAR.

Vejamos quais são elas:

1 Etapa inicial (fase de contato)
Ø  Trace objetivos para si mesmo (o que pretende aprender);
Ø  Divida o material que você vai estudar em grupos de 3 páginas;
Ø  Leia em voz alta e depois escreva os títulos e subtítulos do assunto;
Ø  Adquira uma visão global do assunto – vá até o final do tema;
Ø  “Amarre o novo ao antigo” – o que você já sabia sobre o assunto com as novas informações;
Ø  Consulte o dicionário para que não fiquem palavras sem serem entendidas.

2 Etapa Intermediária (fase analítica)
Ø  Compreenda os detalhes, sem perder a noção do conjunto;
Ø  Divida e organize;
Ø  Transforme o texto em itens;
Ø  Grife, sublinhe, ponha sinais;
Ø  Garanta a perfeita compreensão (peça ajuda, leia outros livros, etc).

3 Etapa Final (fase da síntese)
Ø  Estabeleça os pontos-chave;
Ø  Retire os exemplos, as repetições;
Ø  Fique com as orações principais;
Ø  Substitua as frases longas por mais curtas;
Ø  Conserve apenas o fundamental. 

Outra dica importante é a utilização de ferramentas como Mapas Mentais, Anagramas, etc.

Video01

Video02

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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Discurso Direto, Indireto e Indireto Livre

Tipos de Discurso na Narrativa

Discurso direto: o narrador apresenta a própria personagem falando diretamente, permitindo ao autor mostrar o que acontece em lugar de simplesmente contar.
Lavador de carros, Juarez de Castro, 28 anos, ficou desolado, apontando para os entulhos: “Alá minha frigideira, alá meu escorredor de arroz. Minha lata de pegar água era aquela. Ali meu outro tênis.”

Discurso indireto: o narrador interfere na fala da personagem. Ele conta aos leitores o que a personagem disse, mas conta em 3ª pessoa. As palavras da personagem não são reproduzidas, mas traduzidas na linguagem do narrador.
Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descansou no chão o cachimbo. 
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque.
Dalton Trevisan. Cemitério de elefantes. Rio de Janeiro, 
Civilização Brasileira, 1964.

Discurso indireto livre: é uma combinação dos dois anteriores, confundindo as intervenções do narrador com as dos personagens. É uma forma de narrar econômica e dinâmica, pois permite mostrar e contar os fatos a um só tempo.
Enlameado até a cintura, Tiãozinho cresce de ódio. Se pudesse matar o carreiro... Deixa eu crescer!... Deixa eu ficar grande!... Hei de dar conta deste danisco... Se uma cobra picasse seu Soronho... Tem tanta cascavel nos pastos... Tanta urutu, perto de casa... se uma onça comesse o carreiro, de noite... Um onção grande, da pintada... Que raiva!... 
Mas os bois estão caminhando diferente. Começaram a prestar atenção, escutando a conversa de boi Brilhante.
Guimarães Rosa. Sagarana. Rio de Janeiro, 
José Olympio, 1976.
Por Marina Cabral 
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura 
Equipe Brasil Escola


Video Aulas sobre o tema:






Exercícios com Gabarito de Português:

Bateria1
Bateria2